Tornei me a navegar sob o mar negro de meu ser
Olhava para a água, não havia reflexo
Olhava fundo, não havia peixes
Mas não me preocupava, não sentia fome
Meu único e maior anseio era de mais rápido navegar
Não sabia quando meu barco viria a naufragar
Mas também sabia que não dependia de mim
Silencio,
Só a água voltando da concha dos remos tinha som
E remava mais rápido,
A ansiosidade parecia maior que o horizonte
Não chegava a lugar algum,
Estaria alternando as remadas erradamente?
De forma a forçar um só lado e percorrer círculos?
O remo quebrou, a extremidade que colhia água afundou
Por instantes olhei para ela fixamente
Desaparecendo na imensidão de água
Deitei-me sobre o barco
Os braços cansados amoleceram
E minhas mãos experimentaram o gosto da água
Morna
O que seria de mim parado no mar sem fim?
Não tinha onda ou qualquer sinal de uma
Estaria condenado ao infinito ócio?
Pois então, deveria pular ao mar?
E arrematar a profunda mágoa de estar vivo?
Sim, não, talvez, nunca,por que não?
Quem sabe um sortudo pudesse me salvar?
Esperei, esperei, esperei...
Nada, estava sozinho.
Esperei...
Realmente, estava sozinho...
Esperei...
Como é possível?? Estava sozinho!
Esperei...
Estava no meio, mas no meio de que?
Para haver meio necessita de ao menos duas referencias.
Pois então estava aonde?
Em lugar algum? Estava! Havia remado tanto!
Estava.Não é? Eu estava, correto?
Não estava.