segunda-feira, 7 de março de 2016

Canto das pedras

Ó sol, que quentura eu queria sentir na tua chegada
É pena que tu me lembre que já vem mais um dia
Um dia
Sem ela
E ilumine
Uma peça de só um único personagem
Ou diria eu
Tragédia
Mas apesar da secura dos lábios
Ao final da tarde
Vem você
Cobrindo o horizonte que só mil trombetas traduziram
E também tambores...
Chuva
Misture minhas lágrimas dentre às do resto do céu
Pois sei que alguns indivíduos aqui da terra
São profanos demais para chorar por ela
Mas que profanos
E pelo início da noite
Ela chora por eles
Lua
Onde está sua branquidão se não fora meus braços
Onde está sua doçura se não provando outros ratos
Sei que não
Mas temo que sim
Que se um dia você sair de trás das nuvens...
Tragédia
Nunca saíra
Mas até lá
Verei uma lua no céu
Outra no mar

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Final de verão, sábado

Pouco sabe da vida Aquele que tranca sua alma no trabalho E faz do teu desejo, pequeno retalho É pedir muito que numa tarde de verão, O azul claro cubra meu corpo jogado no chão? A pétala da quaresmeira roxa caia sobre mim Enquanto durava aquela tarde sem fim

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

O lago branco congelado

O lago branco congelado
Reflete o sol cortado a metade pelo horizonte
Entre eles as árvores se apontam a um céu
Gradiente de azul a amarelo que aos poucos se escurece

O lago branco congelado  
Opõe ao azul escuro e as   luzes laranjas da rodovia encaixada das árvores
Olhos em movimento andam aos trilhos dos pontos laranjas que rodeiam o lago.
O barranco da rodovia até o lago é coberto de capins finos que se mechem ora por causa do vento, ora por seus habitantes

O lago branco congelado
Guarda no fundo da gaveta de sua margem uma casa de madeira com um deck
E se permeia com uma trilha de terra coberta por neve em circuito e com bancos na sua extremidade

O lago branco congelado
Gosta quando um alguém senta em seus bancos para lhe contemplar
Gosta quando as entidades de casaco dão a voltar em teu cinto
Gosta quando os pares de pontos lhe fazem companhia ao anoitecer

O lago branco congelado
Se apaixonou com meu olhar

sábado, 29 de novembro de 2014

Profundezas

Tornei me a navegar sob o mar negro de meu ser
Olhava para a água, não havia reflexo
Olhava fundo, não havia peixes
Mas não me preocupava, não sentia fome

Meu único e maior anseio era de mais rápido navegar
Não sabia quando meu barco viria a naufragar
Mas também sabia que não dependia de mim

Silencio,
Só a água voltando da concha dos remos tinha som
E remava mais rápido,
A ansiosidade parecia maior que o horizonte

Não chegava a lugar algum,
Estaria alternando as remadas erradamente?
De forma a forçar um só lado e percorrer círculos?

O remo quebrou, a extremidade que colhia água afundou
Por instantes olhei para ela fixamente
Desaparecendo na imensidão de água

Deitei-me sobre o barco
Os braços cansados amoleceram
E minhas mãos experimentaram o gosto da água
Morna

O que seria de mim parado no mar sem fim?
Não tinha onda ou qualquer sinal de uma
Estaria condenado ao infinito ócio?
Pois então, deveria pular ao mar?
E arrematar a profunda mágoa de estar vivo?

Sim, não, talvez, nunca,por que não?

Quem sabe um sortudo pudesse me salvar?

Esperei, esperei, esperei...
Nada, estava sozinho.
Esperei...
Realmente, estava sozinho...
Esperei...
Como é possível?? Estava sozinho!
Esperei...
Estava no meio, mas no meio de que?
Para haver meio necessita de ao menos duas referencias.
Pois então estava aonde?
Em lugar algum? Estava! Havia remado tanto!
Estava.Não é? Eu estava, correto?

Não estava.

Quem sou eu

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Amante por física quântica, computação, e principalmente por conhecimento.